domingo, 7 de setembro de 2008

Capitulo 1

EDA – 004804-V02-FBN-10/4/2008

O SABRE, A COMENDA E OUTRAS LEMBRANÇAS...

Comentário em sala de aula:
– Esse teu ar distante e o teu modo de ser... Parece até que estás no passado, lá por 1800 e tal!

Assim a minha amiga Selma despertou lembranças de conversas esquecidas. Não tinha pensado ainda sobre as minhas origens. Aos 16 anos eu já ouvira vários comentários sobre um barão na família do meu bisavô. Coisa superficial... Ninguém dava importância a isso – um ancestral nobre. As lutas diárias de pessoas humildes com seus muitos filhos não permitiam que o tempo fosse gasto com “futilidades”, como se encarava esse fato. Afinal era só um parente distante, de antes de o meu bisavô nascer. Até então as informações eram poucas e desencontradas. Um dos meus primos viajou em férias e foi visitar minha tia-bisavó, em Porto Alegre. Chegando lá foi “apresentado” ao retrato do Barão do Triunfo,

O Barão do Triunfo

José Joaquim de Andrade Neves. Tal foi a surpresa com a descoberta, que daí em diante fiquei com vontade de pesquisar a vida do meu bisavô, Octavio de Figueiredo Neves.
Meu bisavô, Octavio de Figueiredo Neves


Esse assunto surgia quando ele lembrava o Rio Grande do Sul, ou a História do Brasil: seu bisavô foi comandante do Exército na guerra contra o Paraguai. Em combate foi ferido com um golpe de sabre no rosto, que dividiu seu nariz horizontalmente. Não havia recursos médicos – algodão, gaze, esparadrapo... –, só os lençóis de linho, que eram desfiados pelas crianças, para estancar o sangue. Elas sentavam no chão da sala com o lençol aberto e iam puxando até conseguir desmembrar tudo. Dos fios eram feitas as buchas para fazer os curativos. O ferimento deixou uma feia cicatriz em seu rosto, e pouco tempo depois ele faleceu.
Enquanto lutavam nas guerras, o tempo seguia seu caminho, seus filhos cresciam. Quando adultos, tomavam rumos semelhantes aos dos homens da família. Quase todos militares, e com tendências a cada vez mais encontrar Seguiam carreiras políticas e se envolviam em batalhas quase ao mesmo tempo. Eram basicamente fazendeiros que, por força das circunstâncias, se tornavam guerreiros. Depois
disso, com o serviço militar e treinamento do Exército, surgiam como militares. Em cada família sempre havia um advogado, que seria mais tarde um juiz, provavelmente. Nesta nossa história não foi diferente. Quem não era capitão, era juiz ou as duas coisas. Todos com muita cultura para a época, pois a influência maior da vinda da família real nos trouxe esse benefício. Como se sabe, o Brasil já viveu em padrões de primeiro mundo, com tutores especiais que transmitiam aos descendentes de famílias mais abastadas os ensinamentos que burilavam a educação. A Europa era o modelo e viagens faziam parte da cultura do nosso povo.

Todos os chefes dessas famílias tinham sempre algum comprometimento religioso, pois a Igreja era o marco principal de autoridade presente nos mais remotos lugares. Assim também aconteceu com meu bisavô. Criado pelos avós maternos, seu bisavô, José Heliodoro de Figueiredo Mascarenhas, era Comendador da Imperial Ordem de Cristo, ordem militar e religiosa do Império que consagrava aos seus agraciados honrarias, medalhas e isenções, pois foi criada em substituição à secular Ordem dos Cavaleiros Templários. Há séculos as descobertas de outras terras aconteceram graças ao grande patrimônio herdado dessa Ordem.